terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Escrever

   
   Sentei-me, olhei para esta página em branco e dei-me conta que ando demasiado ocupada para escrever... Reflecti sobre qualquer que fosse a razão e acabei por me perder nos pensamentos... Voltei a focar-me nesta página completamente branca. Questionei-me porque razão haveria eu de escrever. Mas aqui estou eu, sentada sem saber por onde começar, às voltas com mil e uma palavras que todos os dias guardo para mim sem as pronunciar... Palavras que agora me fogem, sem que as consiga agarrar.
   Não sei onde estás, não te encontro. Na verdade, nem sei o teu nome... Espero-te sem saber quem és. Sonho acordada. Imagino de que cor serão os teus olhos, como serão os teus lábios, como será o teu toque. Olho pela janela e não espero que venhas sentado no teu cavalo branco. Espero apenas que venhas, seja de que maneira for. Aguardo ansiosamente a tua chegada. Abro e fecho, vezes sem conta, a capa do meu caderno pautado, no qual escrevo para ti. Ou talvez para mim. Pego na caneta e, lentamente, desenho silenciosas letras que serão guardadas a sete chaves, como um segredo, que nunca será revelado...

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